segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ordálio

Agora que nos estamos a aproximar dessa bonita celebração que atende pelo nome de "natal", chegam as tretas do costume.
E não falo das prendas compradas à pressa, das crianças aos berros e da música natalícia a berrar pelos centros comerciais.
Podia ir por aí ou pelo verdadeiro tetris que é encaixar almoços e jantares familiares.
Há pior do que isso para mim. O terrível jantar de natal de empresa.Parece uma baleia branca a surgir no meu horizonte.
É pá, expliquem-me o porquê de ter que passar por esta merda anualmente.
A fazer figura de parvo, tentando privar com pessoas que não gramo no resto do ano (não sou uma "people's person" para ser franco...) e que odeio em especial naquela ocasião.
Quem dorme com quem.Quem vendeu mais.Quem vai subir mais um degrau na escada empresarial.
Fodam-se pá!!!
Arranjem tema de conversa.Parecem zombies, ano após ano.
É sempre fácil um gajo dizer que não vai.
Mas já se sabe, depois ficamos mal vistos e ainda é pior.
Ah! E ainda se paga para isto.
S&M mental pago, bem se vê.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Só para verem como é bonito

Consegui arranjar o prólogo do "melancholia".
A sério, digam-me lá se isto não é de uma perfeição de ir às lágrimas.


E toma lá mais uma pérola

Bem sei que sou suspeito quando começo a desbobinar sobre o lars von trier.
Gostando de cinema como gosto, acabo por desenvolver uma feroz adimiração por todos aqueles cineastas que têm um universo próprio, ao contrário dos tarefeiros de ocasião (brent rattner e mcg porque vos deixam entrar num set?hm?).
No caso do von trier, é cada vez mais notório o tema da paranóia e da neurose.
Sempre foi aliás. Se no "europa" por exemplo a coisa ainda assumia um carácter colectivo (a ameaça nazi), a partir do "breaking the waves" esse espaço de análise reduz-se ao indivíduo. À sua incapacidade de lidar com os demais, com os estímulos exteriores.
Resta o personagem à deriva num espaço para ele incompreensível.Pelo que só lhe resta a modelação violenta do mesmo segundo os seus padrões internos ("dogville"), a conformação ("breaking the waves")ou a total surpresa resultante do choque aquando da percepção de um novo mundo (por si?)gerado (o final do "anticristo").
Em "melancholia", justine vítima de profunda depressão é confrontada com as regras impostas pela normalidade.O casamento, a estrutura familiar, a autoridade patronal.
À medida que avança numa espiral entrópica, a própria natureza a acompanha.
O planeta que se aproxima da terra e que promete tudo destruir acaba por ser símbolo da sua angústia.
O movimento de aproximação de melancolia (o planeta)em direcção à nossa esfera azul, aumenta na respectiva proporção em que justine se sente cada vez mais distante dos demais.
Se em outros filmes de von trier, a voz da maioria ganha por ko técnico (afogando o esforço do personagem), em "melancholia" surge uma espécie de vingança.Aos ditos normais e enquadrados só lhes resta a saída da fuga para a frente, do suícidio.
É o incompreendido que arrasta todos os demais.Até ao fim do mundo.
Obra prima, obra prima, obra prima.
Mil vezes genial.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um gajo caminha para velho

Como saber que um gajo já passou a metade da década de 30?
Quando começam a aparecer os cabelos brancos (de lado, à sr.fantástico do quarteto com o mesmo nome.Lindo pareço um futuro galã dos anos 40).
Os putos na rua usam expressões que já não reconheço.
O "nevermind" saiu em 1991.Estamos em 2011.Façam as contas porque eu fico deprimido quando penso nisso.
Vejo o telejornal e parece-me tudo mal.
Adormeço no cinema.
A minha graduação de óculos aumentou...de uma forma...gradual.
Não vejo porra sem eles!
O vasco pulido valente começa a fazer sentido (ao contrário da década de 90 quando escrevia na "k")
Por falar nisso, lembrar-me da "k".
Achar que o "karate kid 2" até é giro.
O 2!!!!!!Em que o gajo vai ao japão levar na tromba.
Aprende mais uns golpes e sobe o amorrrrrr, mas leva na tromba.
Desculpem lá, mas vou ali cantarolar peter cetera (hgghhhh...)


Enfim...

Esta semana enquanto apreciava um cigarro pela rua do carmo abaixo, fui abordado por uma senhora muito encolhida, a navegar nas roupas que trazia vestidas.
Afirmou-me estar sozinha neste mundo, viver de caridade e conter no peito um enfisema pulmonar.
Nos dias que hoje correm, já nem sei sinceramente se estou a ouvir algo com ponta de verdade ou conversa destinada a rebentar de vez com o "lamento, mas não tenho trocos" que o cérebro tem programado.
Nem vale a pena pensar muito nisso no meu caso.
Além de muito provalmente ter escrito "otário" na testa, a minha avó sempre me ensinou que ajudar os outros passa por duas razões muito simples:
Em primeiro lugar, faz de nós pessoas mais dignas do termo ser humano.
Em segundo lugar, qualquer um de nós pode estar sujeito a passar pelo mesmo.
É pena quando muitas vezes me esqueço disso.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Depois do "Tio" Oscar Wilde...

...existe o Stephen Fry.
Adoro o humor britânico, seco e distante. A gargalhada libertadora que o "nonsense" provoca.
Ora aqui vai um exemplo:
"It is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious. "
Oscar Wilde, Lady Windermere's Fan, 1892, Act I

É ou não é bonito? E verdadeiro.Mais do que tudo, verdadeiro até à última palavra.
Era esse o génio do Oscar Wilde e do Evelyn Waugh.
Do Kingsley Amis que agora descobri.
A verdade da natureza humana, grande em pequenas coisas.Mesquinha e ridícula quando mais se exige.
E lá vem na mesma leva daqueles o Stephen Fry. Bem sei que ler é sempre melhor que ouvir.
Mas o início da leitura da autobiografia, feita por este cavalheiro com cada palavra torneada e cheia de vida é um prazer sem fim.
Enjoy...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Enjoy the silence

Sem dar por isso passou um mês sem vir aqui escrever.Fui adiando um dia, dois e o calendário foi percorrendo o seu trajecto.
O que mais me entristece não é o facto de não ter tido tema de conversa.
Foi chegar a casa rebentado do trabalho, fartinho até às orelhas de aturar gente parva. Parecendo que não, desmotiva.
Mas lá cheguei à conclusão singela que algumas pequenas coisas compensam enormes chatices e flutuações de humor. Ir construindo este pequeno diário, ouvindo as teclas a acompanharem a alma acaba por saber muito bem.
Agora vou ralhar um bocadinho comigo por me ter deixado abandalhar desta forma.
Até já